MON inaugura exposição com 86 obras de Yutaka Toyota

Premiado escultor, pintor, desenhista, gravador e cenógrafo, o artista é também um dos pioneiros do movimento cinético internacional e da arte interativa. A mostra é uma retrospectiva do artista, que completará 90 anos em 2021 e continua em pleno vigor criativo.

O Museu Oscar Niemeyer (MON) apresenta a partir de sexta-feira (04) a premiada exposição Yutaka Toyota – O Ritmo do Espaço. Escultor, pintor, desenhista, gravador e cenógrafo, o artista é também um dos pioneiros do movimento cinético internacional e da arte interativa.

A exposição traz 86 obras, uma instalada na área externa do MON. Embora seja retrospectiva do artista, que completará 90 anos em 2021 e continua em pleno vigor criativo, a mostra não é estruturada de forma rigidamente cronológica. Contempla trabalhos produzidos a partir dos anos 1960 em diversos suportes e recebeu, em 2018, o prêmio de Melhor Retrospectiva do Ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

“O espetacular cinetismo proposto pelo artista nos encanta e nos conecta com suas obras”, diz a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika. “Premiado internacionalmente, com obras em importantes coleções de vários museus no mundo e mais de 100 monumentos instalados em locais públicos, Toyota usa o movimento de estruturas como linguagem artística numa produção espetacular e exemplo de vivacidade”, completa.

A curadoria de Denise Mattar evidencia a coerência interna da obra de Toyota, sua originalidade e pioneirismo, fazendo conviver trabalhos de diversas épocas ao lado de seu trabalho atual, que continua surpreendentemente intenso. Privilegiando a produção escultórica de Toyota, enfatiza o percurso e as principais questões que permeiam a obra do artista, apontando o processo que o levou da pintura ao objeto e do plano à superfície reflexiva – instaurada como quarta dimensão.

“Ele faz parte de um grupo que na década de 1960 decretou o fim da pintura de cavalete e da escultura figurativa, convidando o público a participar de novas experiências estéticas, interativas e sensoriais”, explica Denise.

“Sua obra convoca dualidades: positivo-negativo, visível-invisível, sólido-evanescente, volume-leveza. As múltiplas possibilidades do reflexo são a matéria-prima da qual Toyota se utiliza para ‘compreender o significado do espaço’, e nessa opção podemos apontar um expressivo parentesco da obra de Toyota com a de Anish Kapoor, não por acaso, também um oriental-ocidental”, compara a curadora.

O artista trabalha há mais de 60 anos e nesse período criou milhares de obras entre desenhos, gravuras, pinturas, instalações, painéis escultóricos e esculturas de todos os tamanhos, desde pequenos múltiplos a imensos monumentos, mas sempre foi fiel às mesmas indagações que o fizeram mergulhar no universo das artes, ainda no Japão.

“Aos 15 anos recebi, em Yamagata, o primeiro prêmio de pintura no Salão de Jovens Artistas. Na ocasião, o crítico japonês Atsuo Imaizumi me disse: mantenha sempre as mesmas ideias e perguntas interiores, assim encontrará sua verdadeira arte e produzirá obras verdadeiramente suas, obras originais. E foi o que fiz”, diz Yutaka Toyota.

“O que me interessa verdadeiramente é a conexão entre o homem e o universo. A cultura ocidental responde a essa questão através da física quântica e a oriental, através da espiritualidade. Aceito os dois significados e ambos estão no meu trabalho”, destaca o artista.

Sobre a obra de Toyota, Oscar Niemeyer escreveu: “o que me agrada na escultura de Toyota é a simplicidade natural e não premeditada. A ideia de utilizar o aço e a cor com seus reflexos imprevisíveis. São objetos que se adaptam a qualquer ambiente e, numa escala maior, à própria arquitetura. Parece que a pureza do aço o atrai e desse material talvez decorram as formas diferentes, construtivas ou geométricas, que imagina. Vejo-as, às vezes, numa escala maior, como grandes sinais metálicos cheios de brilho e de luz e as sinto tão belas que as gostaria de ver incorporadas à nossa arquitetura”. Agora, o desejo do criador do Museu Oscar Niemeyer será atendido.

YUTAKA TOYOTA – Nascido no Japão em 1931, Toyota chegou ao Brasil no final da década de 1950 e naturalizou-se brasileiro em 1971. Começou sua carreira no País como pintor, logo recebendo alguns dos mais importantes prêmios do circuito de arte brasileiro, como o do Salão Esso, em 1965, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que o levou à Itália. Lá permaneceu por três anos, período em que participou de emblemáticas exposições ao lado de Lucio Fontana, Bruno Munari, Vasarely e Le Parc. Suas obras tornaram-se tridimensionais e adquiriram características óticas, cinéticas e imersivas – partido adotado até hoje.

No retorno ao Brasil, o artista se apresentou na X Bienal de São Paulo e seus trabalhos despertaram a atenção do público e da crítica. Toyota apresentava a escultura de uma forma totalmente inovadora, algo que não era conhecido aqui, e recebeu todos os mais importantes prêmios da época. Numa evolução natural, passou a criar obras em grandes dimensões, para espaços públicos, sempre convocando a participação do espectador.

Aos 89 anos, Toyota continua em atividade, sendo um dos raros escultores brasileiros a dominar a relação escala-espaço, habilidade essencial para a criação de obras ao ar livre. Não por acaso, ao longo dos anos, ele semeou mais de 100 obras públicas entre o Brasil e o Japão, feito inédito entre os nossos escultores.

Serviço
Yutaka Toyota – O Ritmo do Espaço

De 4 de dezembro de 2020 a 17 de fevereiro de 2021
Visitação: terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Museu Oscar Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999
http://www.museuoscarniemeyer.org.br

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