Reciclar é preciso!

Era o ano de 1972. Recém-formado em engenharia química, eu estava no meu primeiro estágio em Mauá – SP.
Naquela manhã de inverno, dirigia meu fusca verde indo de Santo André onde morava para o trabalho em uma empresa petroquímica.
Passei então pelo Rio Tamanduateí e encontrei algumas viaturas de polícia e dos bombeiros na marginal. Várias pessoas se aglomeravam na beira do rio. Jornalistas e fotógrafos também estavam presentes.
Encostei e saltei do carro para ver o ocorrido. Minha surpresa foi grande por ver um cavalo se debatendo para sair de um “mar de espuma” causado pela poluição do rio.
Bem, resumindo, no dia seguinte tinha uma foto do animal na capa do diário de grande circulação da região. Não tive tempo de ler a notícia, mas ao que tudo indica ele havia morrido afogado na poluição.
Ao chegar naquele mesmo dia na fábrica de polímeros onde estagiava, deparei-me com o dia destinado ao almoço com a diretoria. Esse dia ocorria uma vez por mês na empresa e esse era o meu primeiro almoço.
Sentamos a uma mesa de mais de cinquenta lugares, improvisada com compensado flexível sobre cavaletes. Naturalmente, por ser estagiário, sentei na diagonal oposta ao diretor. Portanto, estava bem longe dele. Praticamente, todos os funcionários estavam entre mim e o diretor.
Não sei bem porque, mas apesar da timidez, resolvi abrir a boca e me dirigi diretamente ao diretor. Como estava ainda sob um forte impacto causado pela situação inusitada do cavalo se debatendo, resolvi levantar esse tema com o diretor.
Devo ter falado algo assim: Senhor Fulano hoje vi um cavalo se debatendo para sair de um rio poluído com espuma e acho que o animal morreu.
O diretor deu um soco na mesa e o compensado foi ondulando até chegar onde eu estava, olhou para mim e ato contínuo disse: Carioca (eu sou do Rio de Janeiro e estava em São Paulo), se você quer viver num mundo sem poluição vai trabalhar na Amazônia, ao lado do Rio Negro.
A vontade que eu tive foi de cavar um buraco e parar na China. Todos estavam me olhando nessa hora.
Desce o pano.
Bem, hoje tiro uma lição dessa situação. Foram sábias as palavras desse diretor. Ele preconizou a poluição no Rio Negro pelo lixo, que é a mais crítica da região atualmente. Todos os dias cerca de 20 toneladas de lixo são retiradas dali, segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (SEMULSP). Algumas fábricas do Distrito Industrial despejam até mesmo metais pesados no rio, como bário, chumbo e arsênio. Depois de retirados das águas, os resíduos coletados vão para o Aterro Sanitário e somente cerca de 2% é destinado à reciclagem.
Vale a pena lembrar os 3RS: reduzir, reutilizar e reciclar.
Há muitas razões para reciclar: economia de recursos, a poluição é diminuída, a vida do material alonga mesmo com diferentes usos, é conseguido economizar energia, evitando o desmatamento, 80% do espaço dos resíduos é reduzido Ao revolver a questão do lixo, você pode diminuir o pagamento de impostos pela coleta de lixo e, ao mesmo tempo, gerar emprego e riqueza.

Você pode gostar também